Muriqui, o maior primata das Américas, é candidato à mascote das Olimpíadas de 2016 por Fábio Paschoal


Por Fábio Paschoal 

O muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) é considerado espécie ameaçada de extinção segundo a lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Ricardo Martins

O muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) é considerado espécie ameaçada de extinção segundo a lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Ricardo Martins

Encontrado somente na Mata Atlântica, o muriqui é o maior primata das Américas. Eles não  são agressivos e demonstrações de afeto são comuns entre indivíduos de qualquer sexo ou idade. Uma das características marcantes desses macacos são os demorados abraços grupais. Os adultos sempre cuidam dos mais jovens e fazem pontes com o próprio corpo para facilitar a passagem de filhotes de uma árvore para outra. Por conta de toda essa passividade, os muriquis são chamados pelos índios de “povo manso da floresta“.

Os índios chamam os muriquis de “povo manso da floresta” devido aos hábitos pacatos do primata – Foto: Ricardo Martins

Os índios chamam os muriquis de “povo manso da floresta” devido aos hábitos pacatos do primata – Foto: Ricardo Martins

Abraços são comuns entre os muriquis – Foto: Ricardo Martins

Abraços são comuns entre os muriquis – Foto: Ricardo Martins

Gente que bamboleia, que vai e vem. Esse é o significado do nome muriqui em tupi-guarani. O primata possui braços longos e uma cauda preênsil – capaz de segurar galhos como se fosse um quinto membro – que conferem muita agilidade ao macaco enquanto se movimenta em sua jornada em busca de alimento (frutos, flores e folhas). Ele atua como dispersor de sementes de diferentes espécies de plantas e é essencial para manter a diversidade da floresta.

Cerca de 400 mil mono-carvoeiros, como também são conhecidos, habitavam a Mata Atlântica em 1500. Mas foram dizimados pela caça e pela destruição da floresta.  Estima-se que a população atual seja de menos de 3 mil animais, divididos em duas espécies diferentes o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) que ocorre nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e sul da Bahia, e o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) que é encontrado nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e parte do Paraná.

O muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) é considerado espécie criticamente ameaçada de extinção segundo a lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Anderson Ferreira/Sua Foto

O muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) é considerado espécie criticamente ameaçada de extinção segundo a lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Anderson Ferreira/Sua Foto

Com o objetivo de apresentar o maior primata das Américas à população, tirar a espécie da lista vermelha de animais ameaçados de extinção e reintroduzir o macaco em florestas preservadas do Brasil, a ONG Instituto Ecoatlântico – com o apoio da Conservation International, do governo do Estado do Rio de Janeiro e de artistas como Gil Berto Gil e Chico Buarque – criou a campanha muriqui mascote Rio 2016 (veja o vídeo da campanha no final do post)

O muriqui atuaria como espécie bandeira (espécie símbolo da uma causa ambiental). A ideia é chamar a atenção para as duas espécies de primatas e conseguir mais apoio para preservar o habitat em que vivem. Com isso, outras espécies da Mata Atlântica seriam beneficiadas.

Membros longos e cauda preênsil conferem agilidade ao muriqui – Foto: Ricardo Martins

Membros longos e cauda preênsil conferem agilidade ao muriqui – Foto: Ricardo Martins

Os adultos sempre ajudam os filhotes – Foto: Ricardo Martins

Os adultos sempre ajudam os filhotes – Foto: Ricardo Martins

A mascote será escolhida entre as propostas de 15 agências convidadas pela organização dos Jogos Olímpicos e o resultado deve ser anunciado em agosto. Não existe uma candidatura oficial e o tema é livre. Mas os apoiadores do primata seguem otimistas. A definição do tatu-bola como mascote da Copa do Mundo é um sinal de que a questão ambiental pode ser determinante para a escolha da mascote das Olimpíadas.

Gostaria de agradecer ao fotógrafo Ricardo Martins, autor dos livros A Riqueza de um Vale (premiado na categoria fotografia no 54° Prêmio Jabuti 2012) e Jalapão, história e cultura – unidades de conservação do estado do Tocantins, que aproveitou sua ida à São Francisco Xavier, São Paulo, para fazer as fotos do muriqui-do-sul. Valeu Ricardo!

Fonte: National Geographic Brasil 

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