Nova espécie de anta é descoberta no Brasil


Nova espécie de anta Tapirus kabomani. As antas são dispersoras de sementes e possuem um papel essencial para a manutenção dos ecossistemas onde são encontradas (Amazônia, Pantanal, Cerrado e florestas de montanhas) – Ilustração: Garcielle Braga

Nova espécie de anta Tapirus kabomani. As antas são dispersoras de sementes e possuem um papel essencial para a manutenção dos ecossistemas onde são encontradas (Amazônia, Pantanal, Cerrado e florestas de montanhas) – Ilustração: Garcielle Braga

O periódico científico Jornal of Mammalogy divulgou um artigo na última segunda-feira (16) com uma das maiores descobertas científicas do século 21 no campo da sistemática (ramo da biologia dedicado a inventariar e descrever a biodiversidade e compreender as relações filogenéticas entre os organismos). Uma nova espécie de anta (Tapirus kabomani) foi encontrada na Floresta Amazônica. Ela é semelhante à anta-brasileira (Tapirus terrestris), mas é menor, possui patas mais curtas e uma coloração mais escura – sendo por isso chamada de anta-pretinha por algumas comunidades amazônicas.

Os estudos começaram há aproximadamente 10 anos, em uma região ao norte de Porto Velho, na divisa entre Rondônia e Amazonas. Mario Cozzuol, paleontólogo e um dos autores do estudo, procurava por evidências da nova espécie na tribo Karitiana. Os nativos afirmavam que o mamífero em questão era diferente da anta-brasileira. Ao examinar os crânios dos animais caçados pelos índios, o pesquisador percebeu que estava diante de um animal diferente. “O conhecimento da comunidade local precisa ser levado em conta e foi o que fizemos em nosso estudo que culminou na descoberta de uma nova espécie para a ciência”, afirma Cozzuol.

Tapirus kabomani é a primeira espécie de anta descoberta após Tapirus bairdii, descrita em 1865 – Foto: Divulgação

Tapirus kabomani é a primeira espécie de anta descoberta após Tapirus bairdii, descrita em 1865 – Foto: Divulgação

Porém, para que a descoberta fosse oficializada, era preciso coletar mais amostras de DNA para uma analise mais precisa. Isso só foi possível a partir de 2010, quando a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza passou a financiar o projeto.

Segundo Fabrício Santos, coordenador dos estudos genéticos e coautor do artigo, a nova espécie havia sido caçada por Theodore Roosevelt no início do século 20 no norte do Mato Grosso (O espécime capturado pelo ex-presidente dos Estados Unidos se encontra no Museu Americano de História Natural, em Nova York).

“Nossa próxima etapa da pesquisa é determinar a distribuição real de ocorrência e o status de conservação da nova espécie – que provavelmente está ameaçada – já que a espécie mais comum na América do Sul, a Tapirus terrestris, já é considerada vulnerável à extinção pelo livro vermelho [Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção]”, comenta Flávio Rodriguez, professor de ecologia da UFMG e coautor do artigo. Atualmente, a anta-da-montanha (Andes), a anta-centro-americana (América Central) e a anta-malaia (Indonésia) estão ameaçadas de extinção segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês). O desmatamento, a fragmentação do habitat, a competição com animais domésticos, a caça ilegal e os atropelamentos em rodovias são as principais ameaças.

A nova espécie de anta (Tapirus kabomani) pode chegar a 100 quilos, é menor, possui patas mais curtas e coloração mais escura do que a anta-brasileira (Tapirus terrestris) – Foto: Divulgação

A nova espécie de anta (Tapirus kabomani) pode chegar a 100 quilos, é menor, possui patas mais curtas e coloração mais escura do que a anta-brasileira (Tapirus terrestris) – Foto: Divulgação

Para chamar a atenção para o estado crítico dos mamíferos foi criado O Dia Mundial da Anta (27 de abril) com o objetivo de conservar as quatro antas que existiam no planeta. Agora mais uma espécie se junta a esse grupo.

No Brasil, a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, coordenada pela pesquisadora Patrícia Médici, Ph.D. em manejo de biodiversidade, luta pela conservação da anta-brasileira na região do Pantanal e pretende expandir as ações para a Amazônia e o Cerrado.

Para mais informações acesse o artigo http://www.bioone.org/doi/pdf/10.1644/12-MAMM-A-169.1

Fonte: National Geographic Brasil

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